Fotografia Digital: Básica (Formatos de Arquivos, RAW)

Julho 4th, 2008 by André

Nas câmeras SLR, é comum você encontrar alguém falando que só tira foto em RAW (Eu, por exemplo! rs…). Mas o que é RAW, quais os benefícios de seu uso, vale a pena? Bom, vou tentar convence-los…

O Processo

Uma fotografia consiste em expor o sensor a uma determinada condição para captura de raios de luz. Esses raios refletidos em objetos e com várias temperaturas passam pela lente e vão direto para o sensor que os converte em bits e assim formam o arquivo de imagem, e é aí que interferimos em como o processador da câmera irá tratar, converter e armazenar esses dados.

Geralmente são 3 modos (Normal, Fino e Super fino) em vários tamanhos com dois tipos (JPEG, RAW) para as SRL e um tipo na maioria das point-and-shot que é o JPEG. Então vamos entender cada um desses tipos de arquivo para podermos julgar melhor.

JPG

O JPG é um padrão de compressão e armazenamento de imagens. Os dados que formam a fotografia são comprimidos por sofisticados algoritmos antes do arquivo ser gravado em disco.

A taxa de compressão não é fixa. A foto de uma parede branca, por exemplo, com muitas áreas continuas da mesma cor, comprime mais do que a foto de uma cesta de pedrinhas coloridas, cada uma de um formato e de uma cor.

O algoritmo de compressão do JPG é lossy, ou seja, ele causa perdas que não podem, jamais, ser recuperadas. Uma imagem salva em JPG e depois recuperada não é igual à original. As perdas no processo de gravação são definitivas. Da mesma forma, sucessivos comandos de gravação causam sucessivas perdas. A cada gravação um pouco da imagem é perdido definitivamente e isso é um fator muito sério.

O grau de perda, no entanto, é parametrizável. Quando um programa qualquer nos pergunta em que qualidade queremos gravar o arquivo ele está, na realidade, definindo sua taxa de compressão. Quanto maior a compressão, menor o espaço usado pela foto, maiores as perdas e menor a qualidade final.

Mas se o JPG é um formato lossy, porquê usá-lo? A resposta está ligada à internet e à velocidade de download das páginas e fotografias de um site. É, no final das contas, uma escolha entre qualidade e velocidade. Exatamente por ser um algoritmo que ocasiona perdas, o JPG consegue gerar arquivos diminutos, ideais para páginas web.

Importante notar que o JPG armazena 8 bits para cada canal RGB, ou seja, 24 bits para cada pixel. Desta forma, uma fotografia gravada em formato JPG pode ter, no máximo, 16 milhões de cores.

TIFF

TIF (ou TIFF) significa Tag(ged) Image File Format. É um padrão para armazenamento de imagens que gera arquivos grandes e de alta qualidade. O padrão TIF foi desenvolvido pela Microsoft em conjunto com a Aldus e hoje os direitos pertencem à Adobe.

Um arquivo TIF pode ser armazenado com ou sem compressão. E a compressão pode ser lossy (com perdas) ou não. Este grande número de variações cria certos problemas de compatibilidade. O melhor é gravar os arquivos TIF sem qualquer tipo de compressão para facilitar o intercâmbio de imagens entre sistemas e programas diferentes.

Arquivos TIF podem ser gravados com 8 ou 16 bits por cada canal de cor RGB, ou seja, um máximo de 48 bits por pixel para um total de bilhões de cores. Nem me atrevo a fazer a conta mas, se você está interessado, basta elevar 2 à 48 e ver o número que dá. Pois é.

E qual a importância disto, vc pode perguntar. Bem, a importância de se usar 16 bits por canal, para um total de 48 bits por pixel, está na capacidade de se usar os comandos Levels e Curve, do Photoshop, sem causar um defeito nas imagens conhecido como posterization. Este defeito acontece quando existem lacunas na descrição de cores de pixels de um arquivo. E, acredite, com os 8 bits por canal e 16 milhões de cores do JPG estas lacunas são relativamente comuns.

O posterization pode ser detectado olhando-se o histograma da foto no Photoshop. Quando o histograma apresenta falhas e saltos abruptos nos níveis de cor ou brilho, então está ocorrendo o problema, como mostra o exemplo abaixo.

posterization

Em arquivos de 16 bits por canal raramente ocorrem saltos. A transição de cores e brilho é mais suave. O lado negativo de se usar todos os 48 bits está no tamanho do arquivo, que simplesmente dobra. É preciso um computador rápido e muito espaço em disco para tratar arquivos deste tipo.

Vale à pena, então, usar os 16 bits do TIF? Bem, apenas você pode definir isso. Experimente os dois modos, em 8 e 16 bits, e decida qual padrão prefere. Uma dica é usar 16 bits sempre que uma imagem requerer muita manipulação.

Outro ponto importante: uma vez convertida para JPG (que sempre é 8 bits) ou TIF 8 bits não adianta mais voltar a imagem aos 16 bits originais. Os dados não gravados, os dados perdidos, não são novamente gerados. Um fluxo de trabalho em 16 bits deve ser 16 bits do início ao fim.

RAW

Arquivos RAW são arquivos proprietários que armazenam os pixels de uma imagem exatamente como eles foram capturados pelo sensor digital da máquina. São uma espécie de negativo digital.

Arquivos RAW não sofrem processamento de nenhuma espécie. Não há aplicação de sharpening, contraste, saturação, nada. Nem o balanço de branco é definido para arquivos RAW o que, para muitos, é o grande benefício do formato.

Errar o balanço de branco numa foto digital é o mesmo que arruinar as cores da imagem. Depois de salva pela máquina como JPG ou TIF, a imagem já estará com o balanço de branco definido e, caso esteja incorreto, a correção do problema poderá ser muito trabalhosa e requerer muita paciência no Photoshop. E nem assim garante-se um resultado satisfatório. Com o RAW este problema é eliminado.

Arquivos RAW têm outra vantagem: eles permitem que se faça pequenos ajustes na exposição da imagem, em geral em torno de um ponto de exposição. É possível, com isso, recuperar detalhes nas altas ou baixas luzes que seriam perdidos caso a imagem fosse salva como JPG ou TIF. Trata-se de uma grande vantagem, mas não de um milagre. Imagens super ou sub expostas acima de um ponto não podem ser recuperadas

Por enquanto apresentamos apenas as vantagens do RAW. Mas existem desvantagens, todas ligadas ao fato de tratar-se de um formato proprietário. Arquivos RAW não são arquivos cujos formatos são publicamente conhecidos. Seus padrões são definidos pelos fabricantes (como Canon e Nikon) e poucos programas conseguem processá-los.

Porém hoje este problema já esta um tanto minimizado pois os principais fabricantes de câmeras que disponibilizam tirar fotos neste formato já incluen drivers em sus softwares, além do Adobe Digital Negative (.DNG) que é um software gratuito disponibilizado pela gigante Adobe justamente para sanar este incomodo do formato RAW.

Trabalhar com arquivos RAW toma mais tempo e exige dedicação por parte do fotógrafo, bem como consome mais espaço em disco do que arquivos JPG pois Como RAW contém todos os dados da imagem captada pela câmara e uma maior profundidade de cor, em geral 30 ou 36 bits/píxel - seus arquivos têm um tamanho muito grande. Mas como hoje em dia não é caro gravar CDs e DVD’s (o custo unitário da mídia e do equipamento de gravação vem caindo), este fator de consumo não deve ser muito relevante.

Mas, afinal, vale à pena usar RAW? Bem, se você pretende ter a maior fidelidade de cores possível em suas imagens digitais, bem como a capacidade de corrigir pequenos problemas de exposição, não existe outra alternativa a não ser usar RAW.

E muito além disso tem o outro lado do Hobby que é tratar suas imagens e ajusta-las a seu modo. Com isso espero ter influenciado você a usar o tipo RAW e assim fazer grandes fotografias.

Dois fluxos sugeridos

A seguir sugiro dois fluxos de produção. Um para quem pretende fotografar em JPG e outro para quem pretende usar RAW. Não pretendo me alongar nas etapas de cada fluxo, apenas apontar os passos mais importantes.

Fluxo para JPG

  • Ajuste sua máquina para salvar a foto na maior resolução e melhor qualidade possível.
  • Ajuste o balanço de branco de sua máquina. Não confie no balanço automático porque simplesmente não funciona.
  • Faça a foto.
  • Transfira a foto para seu micro.
  • Abra a foto no Photoshop (ou qualquer outra programa) e salve uma cópia como TIF em 8 bits. Este é o seu original.
  • Manipule a foto como desejar e salve a versão manipulada com outro nome em TIF 8 bits. Preserve a original.
  • Imprima sua foto, salve como JPG para web ou leve-a para um bureau de impressão.

Fluxo para RAW

  • Fotografe em RAW.
  • Transfira a foto para seu micro.
  • Usando algum programa capaz de manipular arquivos RAW, trate a imagem. Defina o balanço de branco, ajuste a exposição, saturação, contraste e sharpening. Salve a imagem como TIF em 16 bits. Este é o seu original.
  • Abra o arquivo no Photoshop. Faça as manipulações adicionais que julgar necessárias. Salve esta cópia manipulada com outro nome e em formato TIF 16 bits.
  • Imprima, salve como JPG para web ou leve-a para um bureau de impressão.

Espero que eu tenha convencido a todos… rs…

Postado em Fotografia, Tutoriais, Uncategorized

3 Respostas

  1. Rafael Lopes

    Opa! Temos outro blog aqui com boas dicas fotográficas! Vou colocar nos meus feeds! =D
    Um abraço.

  2. Rafael Lopes

    Cara, eu vi que vc tem uma XT.
    Existe um bug na XT que faz com que o whitebalance não funcione legal, já ouvi falar disso.
    Tenta fazer uma atualização da firmware e tal pra ver se melhora, não é só vc que reclama. Procura isso no google que vc resolve seu problema! ;)
    Abs!

  3. André

    Opa, Rafael! Obrigado por mais essa dica … coloquei um aviso em forma de comentário no post referênte: http://andreabreu.org/2008/07/02/fotografia-digital-bsica-balano-de-branco/

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